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Dom Peruzzo recordou que, pelo batismo, a Santíssima Trindade habita em cada um de nós. E isso deve nos levar a viver como pessoas cheias de esperança.
O arcebispo metropolitano de Curitiba/PR, Dom José Antônio Peruzzo, foi o pregador da quarta noite da novena solene ao Divino Pai Eterno. Ele refletiu sobre o tema “Pai Eterno, como Igreja, peregrinamos para a luz da Trindade sem véu”. Recordou que viver com esperança, marca do cristão, significa perceber, em cada passo da vida, a ação e a presença de Deus que caminha conosco.
A seguir, a transcrição da pregação de Dom Peruzzo.
Quero saudar, com grande fraternidade, os presbíteros com celebram comigo, e toda a equipe de liturgia e cantos. Quero saudar os irmãos e irmãs que participam aqui, em Trindade, desta celebração da novena. Mas também aqueles irmãos e irmãs, e são muitos, que acompanham através do som e imagem da TV Pai Eterno e da TV Aparecida: meios que fazem chegar a muitos rincões distantes desse nosso país a mensagem deste Santuário. Mas de lá e daqui, somos muitos e estamos juntos a orar ao Senhor, e a deixá-lo nos falar, ao ouvir sua resposta. E, ao mesmo tempo, confiarmo-nos às mãos do Deus Uno e Trino, Pai e Filho e Espírito Santo, Deus providente.
Aliás, quero agradecer pelo convite. Eu nunca tinha estado aqui, e não imaginava que fosse tão densa, tão intensa e tão radicada na sensibilidade da nossa gente a devoção, o carinho, a confiança, o sentimento filial. Falamos do Pai Eterno, e talvez não haja em outro lugar na Igreja no mundo uma devoção com esta identidade. Verificando o histórico onde começou esta romaria, com quem e quais os fatos que suscitaram as experiências fundamentais desta linguagem religiosa, tão profundamente arraigada, verifiquei que foi um casal de agricultores pobres, Constantino e Ana Rosa. Começou com o achado de uma medalha. E que em casa ela foi cuidada, como um pequeno oratório, que outros também se vizinhavam e formaram a a pequena comunidade, que se tornou comunidade orante.
O que houve em tudo isso? Começamos a perceber que Deus se fazia próximo, que estava perto. Percorria com eles, com aquela gente, o seus passos; que gostaria de participar da história de quem e de todos quantos quisessem se abandonar às suas mãos previdentes. Tudo muito parecido com experiências bíblicas. Aliás, interessante: aqui começou com um casal de agricultores pobres. Em Aparecida, com um trio de pescadores pobres. Devoção que se tornou raiz, até cultural. Mas também em outros santuários arianos, se quisermos olhar em Fátima: três pastores pobres. Se quisermos ir até Lourdes, na França, uma menina analfabeta pobre. Se formos para Guadalupe, no México, em que ela disse: “Acaso não sou eu a sua mãe?” para um índio, Juan Diego, um homem humilde, um homem pobre. Não se trata aqui de exaltar a pobreza, mas de ter bem presente para todos nós: os pobres percebem melhora presença de Deus, pois conhecem melhor suas próprias fraquezas. Poupa-nos de autossuficiência.
Mas, ainda assim, o melhor modo de interpretar qualquer evento religioso, pequeno ou grande, o melhor modo é deixar que sejam os Evangelhos a projetar luzes, e também a conferir sentido a todas as experiências humanas de fé. Começo, então, indo até o Evangelho. Jesus ergue os olhos ao céu eu resolvo dizendo: “Eu não intervenho somente por eles. Eu não interrogo somente por eles”, por aqueles doze cujos pés o Senhor acabara de lavar. “Peço também por aqueles que, pela sua Palavra, vão crer em mim”.
Falei “Jesus lava os pés” pois, se recordam bem, ele, após lavar os pés, recolocou o manto, mas não tirou o avental. Naquela época, quem lavava os pés não era apenas o mais humilde. Se uma pessoa ia à casa de alguém como visitante, se era bem bem-vindo, o servo mais humilde ou a o filho mais novo lavava os pés da visita, para dizer ao visitante que “é bem-vindo”. Mas se a pessoa era muito querida, a mãe lavava os pés, para dizer “é bem-vindo, porque queremos bem, queremos-lhe muito bem”. Mas se era o dono da casa, o chefe da família a lavar os pés, pelo costume daquele tempo, então a pessoa era profundamente querida, e muito amada. O Senhor lavara os pés, enxugara-os, depois colocou, recolocou o manto, mas não tirou o avental. Eu observo o gesto de lavar os pés, sinal do amor Jesus cingido do seu avental.
Orou, não esqueçamos do detalhe: na oração do Evangelho, nestes poucos versículos, por três vezes, Jesus chama Deus de Pai. Ninguém fez isso antes dele. E quando ele faz no Evangelho de João, por excelência, o momento que mais ele repetiu o nome de Deus chamando o de Pai, foi no lava pés. Com tudo isso, como interpretar esta devoção do Divino Pai Eterno?
Meus caros, Deus quer ser servo dos seus por que os ama! Não se trata daquele “servilismo” de quem se humilha, mas daquela liberdade com quem quer fazê-lo com todo carinho. Sendo retrato dos carinhos de Deus, em favor daqueles que deixam ter seus pés lavados.
Mas sigamos um pouco mais. Conhecer, “Pai, deis-lhe a glória que me destes. Eu lhes fiz conhecer o Teu nome e o tornarei conhecido ainda mais, para que o amor com que me amaste esteja neles”. Se o Senhor Jesus aqui estivesse e tomasse este microfone, provavelmente ele olharia para toda essa gente. Também para os que participam de longe, de onde estiverem, para repetir: “Pai, eu lhe fiz conhecer o Teu nome, conhecer”. O Evangelho de João nunca tem o sentido de uma operação mental, intelectual ou psicológica. “Conhecer” no quarto evangelho tem um sentido de intimidade, de afeição, de ternura. Na medida em que “conhece”, também oferece a inteireza de si em favor de quem ama. “Pai, eu lhe fiz conhecer o Teu nome”. Se o Senhor quiser aqui estivesse com esse microfone, certamente nos recomendaria que busquemos a Deus, o Pai, como Ele, Jesus procurou. Nunca um Pai para favores mundanos. Nunca um Pai para facilitações indevidas. Nunca um Pai para devoções mágicas, como se quiséssemos oferecer algo ao Senhor em vista de alguma troca a ser alcançada. Mas rezávamos no começo: como Jesus lá na cruz, antes da cruz suplicava ao Pai, e desde a cruz dirigia-se ao Pai para que fossem perdoados até quem o crucificava: que possamos compreender como Ele que o Pai nos toma pela mão, para caminharmos por aquelas estradas que nos levam ao encontro definitivo e a plenitude da vida. Que possamos nos sentir, nesta novena, nesses dias, como filhos acariciados, como filhos acarinhados pelo Pai.
A novena do Divino Pai Eterno, e toda a história da devoção, o Pai e o Filho e o Espírito Santo coroaram Nossa Senhora. Meus caros: desde o nosso batismo a Trindade habita em nós! A palavra batizar significa mergulhar. Na tradição bíblica é isso: fomos mergulhados no amor do Pai, no amor do Filho, no amor do Espírito Santo.
Em tempos de Jubileu da Esperança, o que deverias ressoar aos ouvidos do Pai desde a nossa voz: que o amor do Pai, do Filho e do Espírito Santo mantenha-nos como homens e mulheres esperançosos! E o que isso quer dizer? Esperança não é “expectativa”. A expectativa eu aguardo que os fatos se desdobrem segundo as minhas preferências ou gostos. Expectativa de que o meu time vença; de que eu tenha sorte numa prova; expectativa de que na loteria eu possa ter o prêmio. Esperança é, em cada passo da vida, perceber e vislumbrar a intimidade com Deus que nos toma pela mão, às vezes até sem que o percebamos e até dizemos vezes por outra: “Não sei onde encontrei muitas forças, só por Deus mesmo”. Talvez tenhamos até dito essa frase: Ele estava lá! Deus Pai, como Filho, Deus Espírito Santo, a sustentar-nos para que nossa vida, nossos temores - até eles, nossos amores - especialmente eles, tenham um sentido profundo de seguimento a Jesus Cristo. E que acolhendo a sua Palavra sejamos capazes de ser sinais de esperança, até mesmo onde as lágrimas parecem prevalecer.
É hora de concluir. Vamos cultivar a alegria de sermos amados pelo Pai! Deixemo-nos até lavar os pés pelo Filho. E tenhamos a coragem, quando nos faltam as forças especialmente, mas sempre de oferecer nossa liberdade para que seja o Espírito Santo de Deus seja a grande inspiração para nossas palavras, nossas escolhas, nossas opções, nossas relações de convivência e de proximidade. Num tempo em que se brigam muito por pouca coisa, quantas conflitos… Até a eletrônica e os meios virtuais, com tanta difamação… Quem acolhe a Trindade que nele, que nela habita, será sinal de esperança e pronunciará palavras de paz.
Que nesse Jubileu da Esperança nossas palavras pronunciem na paz, e que sintamos o Senhor Deus muito próximo a tomar-nos pela mão. Que Deus abençoe a todos!
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