Quarta, 02 Julho 2025 08:44

A esperança tem nome: Jesus Cristo Destaque

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“Respostas brutais geram mais brutalidade. Já o amor, toca os corações”. Foi o que destacou Dom Paulo Renato, sobre a dinâmica do perdão e da indulgência, que devem transformar a vida de cada cristão e do mundo inteiro.Dom Paulo Renato, bispo de Barra do Garças. Foto: Reproduçao TV Pai Eterno.

Neste quinto dia da novena, a reflexão teve como tema a indulgência e o perdão. O pregador, Dom Paulo Renato Fernandes Gonçalves de Campos, bispo de Barra do Garças/MT, se fez presente com uma grande caravana de sua diocese, inclusive autoridades municipais e representantes eclesiais.

“A esperança é feita de um homem, o verbo encarnado, Jesus Cristo”, lembrou Dom Paulo. “Se nós somos peregrinos dessa esperança, o Amor encarnado, está ali o verdadeiro testemunho de perdão. Nós temos que fazer a nossa vida semelhante à dele, nos configurando à Ele”.

“Pai Eterno, fazei-nos peregrinos de esperança”. Essa é a sintonia da Igreja local, a sintonia do Santuário do Divino Pai Eterno com a Igreja Universal, a intuição do Papa Francisco e a preocupação que ele tem com a esperança. A esperança, meus irmãos e minhas irmãs, segundo a própria intuição do Papa Francisco, como ele expressou em 2022 numa homilia que fez ao clero. Acredito que já estava em embrião esse ano jubilar, pois naquela ocasião ele separou muito bem o que significa “esperança” do que significa “expectativa”. Nós não somos peregrinos de expectativas. Nós somos peregrinos de esperança!

A expectativa é humana. Eu busco com minhas forças tentar alcançá-la, e ela pode me decepcionar porque dependendo da expectativa que eu tenho. Posso não conseguir alcançá-la, pois ela é condicionada a contingências. Ela passa por fatores independentes da minha vontade, que independente da realidade presente. Mas para nós a esperança é completamente diferente disso, explicava o papa Francisco em 2022. Porque a esperança para nós tem nome e tem rosto. A esperança para nós é Jesus Cristo, e ele não decepciona!

Pode ser que durante o caminho de peregrinos da esperança, nós tenhamos dificuldades. Eu tenho certeza que todos nós já experimentamos isso. Pode ser que no nosso caminho de peregrinos, nós tenhamos desilusões, nós tenhamos a tentação de desistir. Mas nós somos peregrinos, não de “expectativas”. E, por isso, nós não desanimamos na primeira decepção humana contingente que acontece na nossa vida. Nós continuamos firmes, porque nós sabemos que a esperança é feita de um Homem, o Verbo Encarnado, Jesus Cristo. E  que no final desse caminho, ele estará lá, misericordioso, de braços abertos, nos esperando, aconteça o que acontecer.

Agora, para que nós experimentemos a força e a eficácia desta esperança, e se essa esperança tem nome e tem rosto, e se essa esperança é o Verbo Encarnado, o Filho de Deus; e se nós somos criados à imagem e semelhança de Deus, é importante que nós compreendamos que nós devemos ser imagem e semelhança desse Deus encarnado, que é Jesus Cristo. E por isso, esse tema que nós temos pra refletir hoje, aquilo que nos chama atenção - e eu agradeço ao padre Sidney quando me fez o convite - por este belíssimo presente de refletir sobre esse tema. O tema que nós temos hoje fala de um testemunho profundo, um testemunho profundo de amor e de perdão. Se nós somos peregrinos desta esperança, nós sabemos que ele é o amor encarnado, porque Deus é amor, diz São João. E se ele é amor encarnado, ali está o verdadeiro testemunho de perdão.

Se peregrinamos na esperança de encontrá-lo, nós temos que fazer a nossa vida semelhante à vida dele. Nós temos que nos configurar, dia a dia, a este Jesus Cristo! É por isso que São Paulo, quando escreve as Colossenses, na primeira leitura diz: “Assim revestimos de sincera misericórdia. Porque ele é misericordioso, e nós caminhamos para ele”. Essa caminhada é uma tarefa árdua, difícil, e nós que nos encontramos neste mundo, estamos encontrando frequentemente na contingência desse mundo, os obstáculos que nos atrapalham. Nós vivemos um mundo muito conturbado, a lógica do adversário, quando nós disputamos ideias, discutimos o que pensamos de maneira diferente… Isso transformou-se na lógica do inimigo: eu não tenho só que vencer o outro no argumento hoje. O outro, que pensa diferente do que eu penso, na lógica do inimigo e não da misericórdia, precisa ser eliminado, precisa desaparecer. E, com essa lógica, nós justificamos guerras, brigas em famílias, disputas… Nós conseguimos transformar um mundo que se aproxima de Deus, em lados que disputam uma contenda entre pessoas que se dizem “pessoas de Deus”, numa guerra assustadora.

Estamos presenciando isso hoje. Revestidos de misericórdia, diz São Paulo aos Colossenses, essa misericórdia só vai acontecer em nós quando nós tivermos plenamente, dentro do nosso coração, a certeza de que precisamos buscar o amor. Porque, São Paulo continua, “o amor é o vínculo da perfeição”. Deus é amor, nós somos imagens e semelhança de Deus, Deus é perfeito, e para que nós possamos buscar este amor de Deus, é necessário viver o amor. Não existe possibilidade alguma de nos aproximarmos do amor com desamor dentro do nosso coração. Perdão, meus irmãos e minhas irmãs, não é uma atitude que eu escolho ter ou não. O perdão, para nós cristãos, faz parte intrinsicamente da nossa fé. É por isso que, tantas vezes Jesus Cristo, não só perdoa, como ensina que esse perdão deve ser perfeito.

Nós não podemos nos distanciar desta verdade. Revestidos da sincera misericórdia, buscar o amor, que é o vínculo da perfeição. Agora, nós bem sabemos que não é fácil, no dia a dia da nossa vida, nós bem sabemos das dificuldades que não estão somente numa guerra num outro continente, mas às vezes, dentro dos nossos ambientes, das nossas famílias,. Perdoar uma ofensa, perdoar uma traição, perdoar o momento difícil que acontece dentro da vida familiar, conjugal, no meio dos amigos. Como é que eu vivo esse perdão exigente? Isso dá medo! Será que eu consigo? Será que eu chego a viver isto?

E aí o Evangelho de hoje nos dá um presente para completar essa reflexão. O Evangelho de hoje diz que os discípulos, os apóstolos, estavam numa sala com medo dos judeus. Medo de não conseguir testemunhar o Cristo. Medo de não conseguir levar avante aquilo que acreditava. Medo de não conseguir corresponder a esse amor. E Jesus, que nunca se afasta de nós, se faz presente, visível. E a primeira coisa que diz é “a paz esteja com vocês!”. Depois se apresenta de novo: “a paz esteja com vocês!”. E aí ele diz como é que esta paz estará conosco: fala do perdão.

Meu irmão, minha irmã: não existe possibilidade - e por isso esse tema belíssimo de hoje diz assim: A nossa fé é testemunho profundo de amor e perdão. Não existe nenhuma possibilidade de nós vivemos coerentemente a nossa fé, sem amor e sem perdão. Agora, se isso é tão difícil, é o Senhor quem nos garante que, antes de falar do perdão, ele nos capacita para vivê-lo. Através do seu Espírito, não é uma iniciativa somente das nossas forças, na nossa determinação. É, antes de tudo, o sopro do Espírito que paira entre nós. É o Espírito Santo, como Evangelho diz, que “soprou sobre eles”. O Espírito que ele enviou sobre eles, o espírito e disse “perdoai”.

Esse perdão é fruto de uma intimidade com Deus! Humanamente, você deve pensar assim: como é que eu perdoo? Mas aquela situação é muito terrível! Aquela situação é complicada! Por isso: que a misericórdia diz respeito ao coração, e não à mente humana. A misericórdia, miséria do coração, diz respeito ao nosso coração. O perdão vem daqui, e só vai conseguir viver esse amor, esse perdão, só vai conseguir viver verdadeiramente esse “peregrinar” para essa esperança, que é o amor verdadeiro encarnado, que tem nome e tem rosto Jesus Cristo, quem colocar na sua vida, em primeiro lugar, o Espírito Santo como condutor e protagonista de nossas ações.

Deixe de lado, meu irmão e minha irmã, o espírito do ódio, do rancor, da inimizade. Isso não leva ninguém a lugar nenhum, a não ser a mais ódio, mais rancor e mais inimizade. Respostas brutais para atitudes brutais, geram mais brutalidade. Nada mais do que isso! O amor surpreende, o amor transforma, o amor toca os corações que aquele medo que os apóstolos e os discípulos sentiam, e que Jesus, quando se apresenta ao sopra sobre eles, diz do perdão. Nós sabemos que, daquele momento em diante, as coisas se transformam. As coisas mudam, a Igreja passa a executar sua missão, mesmo com a contingência dos momentos. A Igreja continua vivendo a sua experiência evangelizadora, com as inseguranças, mas com a certeza que é o espírito que nos guia.

Termino dizendo a você o seguinte: não tenha medo de perdoar e de amar! Principalmente dentro da sua família. Você talvez esteja pensando assim: “aonde é que eu vou agora exercitar esse amor e esse perdão? Para quem que eu vou mostrar isso?”. Talvez quem esteja necessitando disso esteja aí do seu lado, muito perto de você, esperando uma palavra, um olhar. Pai Eterno: fazei-nos testemunhas verdadeiras através da nossa fé, do amor e do perdão.

Gostaria que nós, nesse momento baixássemos, nossa cabeça e fizéssemos uma prece sincera de coração. O Papa Leão XIV disse na sua missa inaugural do seu pontificado: “Esta é a hora do amor!”. Façamos uma prece pelos países, que neste momento, estão em guerra, pelas crianças que pagam pela irresponsabilidade de quem deveria cuidar delas. Peçamos que o Divino Pai Eterno escute a nossas preces, e acalente o coração daqueles que podem dar fim ao ódio, que gera cada vez mais ódio.

Última modificação em Quarta, 02 Julho 2025 08:48
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