Segunda, 30 Junho 2025 11:07

Sejamos proclamadores da Palavra do Pai Eterno Destaque

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Dom Nivaldo lembra que a missão dos romeiros do Pai é caminhar guiados pelo Espírito Santo, continuando a missão de Jesus Cristo

 

Neste domingo, solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, o terceiro dia da novena em preparação para a Festa do Divino Pai Eterno meditou o tema: “Pai Eterno, guiados pelo Espírito Santo, somos todos romeiros do céu”. O pregador da novena solene foi o bispo auxiliar de Belo Horizonte, Dom Nivaldo dos Santos Ferreira.

Em sua reflexão, destacou a necessidade de cada cristão de combater o bom combate da fé. “O primeiro combate é contra o nosso ego e os nossos pecados. O segundo é contra o espírito do mal, que deseja destruir a Igreja de Cristo atacando-a a partir de dentro”, disse o bispo.

A seguir, a transcrição da homilia de Dom Nivaldo:

Irmãs e irmãos na fé, a Paz esteja convosco! Assim tem nos cumprimentado o Papa Leão XIV, Sucessor de Pedro, por quem rezamos especialmente no dia de hoje. Louvo e agradeço a Deus a oportunidade de presidir hoje o terceiro dia da novena solene em honra ao Divino Pai Eterno, aqui no seu Santuário Basílica da cidade de Trindade, neste estado de Goiás. Saúdo o excelentíssimo e reverendíssimo senhor Dom João Justino de Medeiros Silva, arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Goiânia, agradecido pela gentileza da carta convite a mim enviada, como também nesta mesma carta assinada pelo reverendíssimo padre Marco Aurélio Martins da Silva, missionário redentorista, reitor deste Santuário; e o senhor reverendíssimo padre Sidney Martins, igualmente missionário redentorista, Prefeito de Igreja do Santuário, na pessoa deles dois dirijo minhas saudações e agradecimentos. Como também quero agradecer muito de maneira especial o Irmão Michael que me deu a oportunidade de conhecer a Vila São Cottolengo, lugar que me impactou por ser onde pode encontrar a experiência de visitar Deus mesmo na pessoa dos mais de 300 acolhidos e acolhidas, pessoas de extrema vulnerabilidade ali cuidados pelos Missionários Redentoristas. Na pessoa destes irmãos missionários, cumprimento todos os outros religiosos, padres e irmãos redentoristas, como também as religiosos Vicentinas que pude encontrar na Vila São Cotolengo. Estes irmãos e irmãs nossos servem e evangelizam a partir deste centro e irradiador da fé cristã católica que é o santuário Basílica, lugar de esperança, como também o é a cidade de Trindade, solo sagrado de esperança!

Irmãs e irmãos, aqui somos acolhidos e evangelizados! Aqui emocionados, expressamos, a uma só voz, nossa esperança orante ao Pai Eterno, através do hino tradicional dos romeios que nos embala dia após dia: “Somos povo de Deus caminhando”. Aqui, cantamos e proclamamos nossa fé e esperança, com a confiança dos filhos e filhas que, caminhando nesta terra com o Pai Eterno, anseiam pelo céu!

Desejo cumprimentar a todas e todos os romeiros que vieram lhe estão agora juntamente comigo nesta celebração da eucaristia, para viverem este preciooso momento aqui no Santuário Basílica. Saúdo igualmente os nossos irmãos e irmãs devotos, espalhados por todo o nosso Brasil, conectados conosco pelos meios de comunicação: TV Pai Eterno, TV Aparecida, PUC TV, Rádio Difusora Goiânia, Rede Vale FM e pelas plataformas de digitais. Meios preciosíssimos que permitem alcançar os vossos corações devotos por toda parte na intimidade de vossos lares e de vossas famílias. Daqui desejo humildemente, pela minha oração, também vos abençoar.

A novena Solene e a festa - tudo junto - irmãos e irmãs, formam um itinerário poderoso de oração e reflexão. Queremos sinceramente aprofundar a nossa experiência de esperança e renovação espiritual. Queremos fortalecer em cada um dos nossos corações a certeza do amor misericordioso do Pai Eterno, que nos chama a ser testemunhas de sua bondade. Queremos, principalmente neste ano em que a Igreja vive um Ano Jubilar de Peregrinos da Esperança  - Jubileu do Ano Santo da Redenção, celebrando 2025 anos do nascimento de Nosso Senhor - aproximarmo-nos do coração de Deus Trindade para humildemente pedir a especial graça de crescermos na fé e na esperança. Por isso, aqui viemos para rezar: “Pai Eterno, fazei-nos peregrinos da esperança”. 

Precisamos, bons irmãos, fortalecer nossos passos e avançar como Igreja que caminha junto, com paciência e esperança. Como disse nosso saudoso Papa Francisco, citando o apóstolo Paulo na carta os romanos: “a esperança não decepciona”. A esperança forma, juntamente com a fé e a caridade, um trio das virtudes teologais que exprimem a essência da vida cristã. No dinamismo indivisível das três virtudes, a esperança é a que imprime a orientação, indicando a direção e a finalidade da existência da nossa fé. Por isso, o apóstolo Paulo, cuja festa do seu martírio hoje celebramos, juntamente com a festa do martírio de Pedro, colunas da Igreja, convida a ser alegres na esperança, pacientes na tribulação, perseverantes na oração.

Hoje, irmãs e irmãos - terceiro dia desta novena solene - estamos neste Santuário Basílica para juntos, circunflexos, consagrar-nos ao Pai Eterno, guiados pelo Espírito Santo porque somos todos romeiros do céu. Aqui, os nossos passos se fortalecem com as bênçãos que viemos buscar. Daqui, avançamos, pois cremos que “a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. O Espírito Santo é o Espírito do Divino Pai Eterno é o espírito de Jesus Cristo, filho de Deus vivo, derramado sobre os apóstolos, no dia da Ressurreição.  De fato, Jesus, Vivo e Ressuscitado, soprou sobre eles - soprou sobre os 11 e a Virgem Maria, o Espírito Santo. E os enviou - eles, os apóstolos - ao mundo inteiro. Naquele Pentecostes nasceu a única Igreja de Cristo, a Igreja Católica, para que todas e todos sejam acolhidos e compreendam que neste mundo todos nós peregrinamos em marcha sinodal, na esperança, para nossa verdadeira pátria, que é o céu.

Jesus quis a sua Igreja, toda ela apostólica, porque quis formar uma família, como muito bem entendeu o apóstolo Paulo. Ouvimos da Palavra: “Vocês já não são estrangeiros e imigrantes, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus”. Da mesma forma como Jesus “veio procurar e salvar o que estava perdido”, ele quis a sua Igreja como uma família onde todos se sintam acolhidos. E ninguém se sinta rejeitado, abandonado ou esquecido, pois não é da vontade do vosso Pai Eterno, que está nos céus, que nenhum destes pequeninos se perca. Ora, “pequeninos”  somos todos nós, quando ainda não temos uma fé profunda, esclarecida. Por isso Jesus quis a Igreja, a instituiu para nos acolher como um hospital de campanha após a batalha, cuidando das feridas de seus fiéis e saindo para encontrar os que foram machucados excluídos ou que se afastaram. Esta é a nossa missão: somos todos Igreja de Cristo, missionária!

A festa dos apóstolos Pedro e Paulo oferece-nos uma ocasião oportuna para recordarmos que a nossa igreja nasceu da vontade do Pai Eterno, do sacrifício do seu Filho e da ação do Espírito Santo. São do Apóstolo Paulo, ao se despedir dos presbíteros da cidade de Éfeso, as seguintes palavras: “Estai atentos a vós mesmos e a todos o rebanho: nele o Espírito Santo os constituiu guardiães para apascentar a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue de seu próprio Filho”.

Irmãos e irmãs, a nossa Igreja nasceu na Cruz de Cristo, que morreu para reunir todos os filhos de Deus dispersos pela terra. Ademais, esta festa litúrgica de São Pedro e São Paulo que celebramos hoje com toda a Igreja permite-nos também, especialmente, meditar mais uma vez sobre a confissão de Pedro. Naquele momento decisivo do caminho dos discípulos com Jesus, que logo após a sua pregação na Galiléia dirige-se decididamente em Jerusalém para completar,  mediante sua morte na cruz e ressurreição, a sua missão redentora para nos salvar.

Sim, irmãos e irmãs, os discípulos foram todos eles envolvidos nesta decisão de Jesus, de morrer na cruz para nos salvar. Jesus também nos convida a fazer uma opção que nos levará a nos distinguir da multidão, tornando-nos a comunidade dos que acreditam nele, constituindo-nos a sua “família”, o início de sua Igreja, peregrina, sempre guiada pelo Espírito. Mas com uma dúplice interrogação: “Quem dizem as pessoas que Eu sou? Quem dizeis vós que Eu sou?”.

Jesus convida os discípulos -  e hoje, a cada um de nós -  a tomar consciência de que Ele é mais que um profeta. Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo!. É nesta fé apostólica de Pedro - pedra fundamental ou angular, rocha firme em cima da qual Jesus constrói a Igreja, e ao qual entrega as chaves, concedendo-lhes o poder de ligar e desligar. Quer dizer, interpretar autenticamente a Palavra, e exercer o serviço na fé e no amor. E na fé de Pedro, constituído Apóstolo no caminho de Damasco, e destinado a ser o maior missionário de todos os tempos para evangelizar até os confins da terra, que, hoje, também nós, movidos pelo mesmo Espírito Santo, nos inserimos como romeiros do céu, pois, pelo Batismo, fomos feitos filhos e filhas no Filho muito Amado do Pai Eterno.

A pergunta de Jesus que aparece no Evangelho que acabamos de ouvir, sobre o seu “Eu sou”, não indico uma crise de identidade dele, mas seu sincero e fundamental desejo de ser reconhecido pelo Amor que ele nos revela. Na verdade, com esta pergunta Jesus nos constitui como seus discípulos, pois somos cada um de nós, a cada dia, desafiados a dar a nossa resposta pessoal. Este é o centro da nossa fé: reconhecer Jesus como Messias, o filho do Deus vivo. De fato, a nossa fé começa exatamente onde paramos de colocar o Senhor em questão e aceitamos nos deixar ser interrogados por Ele. Deus é quem é a eterna pergunta, e nós somos, na medida em que escutamos a sua Palavra, e a encarnamos em nossa vida, como Maria, uma processual resposta que qualifica o nosso ser cristão. Na verdade, isto quer dizer o cristianismo que nós amamos não é uma ideologia, não é uma doutrina ou uma moral, mas o nosso encontro pessoal com Jesus, com a nossa resposta dada a Ele, ao nosso Senhor que amamos como Ele nos ama. Pois a Palavra do Eterno Pai que se fez carne, Nosso Senhor, não é um fetiche morto, mas a presença divina, viva e operante na história, pelo poder do Espírito Santo.

Irmãs irmãos, Jesus deixou muito claro que os verdadeiros profetas serão odiados e perseguidos, e que o mesmo mundo que o odiou e o crucificou, odiará os que são da sua Igreja. Hoje, na festa de São Pedro e São Paulo, contemplamos estes apóstolos, colunas da nossa Igreja - um preso e o outro na iminência do martírio - ambos morreram por causa do Evangelho; ambos sofreram muito por causa do anúncio do Evangelho; ambos nos ensinaram que ser cristão é combater o bom combate, completar a corrida, e manter viva a sua fé. O primeiro combate a combater é contra o nosso ego e os nossos pecados. O segundo combate é contra o espírito do mal que deseja destruir a Igreja de Cristo, atacando-a a partir de dentro, suscitando ódio do rebanho em relação ao seus próprios pastores. Além do bom combate, temos que completar o caminho que começamos a fazer quando Cristo nos chamou. Apesar de todos os tropeços e de todas as quedas, precisamos nos levantar todos os dias e retomar esse caminho, sustentados pela força do Espírito Santo.

Contemplemos, irmãos irmãs, a Palavra de Jesus no centro do Evangelho de hoje. “Pedro, tu és pedra, e sobre esta pedra construirei a minha igreja”. Irmãos e irmãs, Jesus foi um construtor!  Ele construiu inúmeras pontes que religaram pessoas ao Divino Pai Eterno, pela força do Espírito, e religaram as pessoas entre si. Nossa Igreja é chamada fazer a mesma coisa. Sejamos, portanto, cristãos construtores, discípulos missionários imbatíveis pelo amor e pelos serviço, como tem nos solicitado incessantemente nosso amado Papa Leão XIV, desde as suas primeiras mensagens: “sejamos construtores da unidade e da Paz! Desarmemos as nossas palavras, para que não firam e nem dividam, incitando ao ódio e à violência, e à guerra. Sejamos proclamadores da palavra do Pai Eterno. Palavra Viva que se fez carne e habita no meio de nós, pelo mesmo Espírito Santo que inundou o coração de Maria e que foi derramado em nós abundantemente.

Assim, enquanto o romeiros do céu, guiados pelo Espírito Santo, poderemos nos aproximar ainda mais do Divino Pai eterno, que em Jesus se abaixou para nos encontrar e nos salvar.  E, peregrinos da esperança, cada dia nós nos tornaremos capazes muito mais de assumir o nosso lugar de pedras vivas, nas quais o Senhor também pode continuar a construir a sua Igreja.

Última modificação em Segunda, 30 Junho 2025 11:12

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