Sábado, 05 Julho 2025 14:58

Nada poderá nos separar do amor de Deus Destaque

Avalie este item
(0 votos)

Os peregrinos de esperança caminham ao encontro daqueles que sofrem. Dom Danival lembra que somente o amor de Deus sustenta nossa alegria de viver.

No oitavo dia da novena em preparação para a Festa do Divino Pai Eterno, o bispo auxiliar de Goiânia, Dom Danival Milagres, refletiu sobre o tema: “Pai Eterno, na aflição e na doença, nossa Esperança é conquista de amor pela cruz”. Neste dia, a celebração contou com a presença especial dos internos da Vila São José Bento Cottolengo.

O bispo destacou a importância do trabalho dos colaboradores da Vila, como expressão do amor de Deus. Também falou de como o sofrimento faz parte da nossa vida. “A fé madura é uma fé de comunhão com Jesus, que também passou pelo sofrimento”.

A seguir, a transcrição da homilia de Dom Danival.

Quero pedir licença aos meus irmãos no ministério ordenado para saudar, primeiramente, aos nossos convidados especiais desta noite: os nossos irmãos irmãs da nossa querida Vila São Cottolengo. Que alegria ter vocês aqui, que alegria poder não somente rezar por vocês, mas ter vocês também rezando conosco, louvando a Deus através da música, como aqui está presente a banda de São Cotolengo nos encantando e nos ajudando a rezar nesta noite. Quero saudar os nossos irmãos também no ministério ordenado: o padre João Paulo, nosso provincial; o padre Marco Aurélio, nosso reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno; o padre Tiago, nosso pároco da paróquia do Divino Pai Eterno; saudar também o padre Márcio, que aqui representa o Vigário Episcopal do Vicariato Nossa Senhora da Abadia, que  participa conosco nesta noite. E minha saudação a você, romeiro e romeira, que veio fazendo o seu sacrifício realizando a sua peregrinação, não somente nesse tempo de graça que é a romaria do Divino Pai Eterno, mas também neste tempo de graça que é o nosso Jubileu. Quero saudar ainda o Irmão Michael, que é o presidente da Vila São Cottolengo, e quero saudar também, na pessoa da Irmã Amanda, todas as irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paula, que são presença constante na história dessa comunidade de amor.

O que é a Vila São Cottolengo? É um lar onde se expressa o cuidado amoroso do Divino Pai Eterno. A presença de vocês aqui, queridos irmãos, deste lar de amor, é testemunho para nós de fé, é testemunho de esperança, é testemunho de amor. Vocês estão aqui, vivendo conosco esta alegria, auxiliado pelos seus cuidadores. Cuidadores que se dedicam incansavelmente, não exercendo somente uma profissão, exercendo o cuidado, trazendo todo o conhecimento técnico da enfermagem e da medicina para cuidar de vocês. Vocês queridos funcionários devem agradecer profundamente a Deus, não somente por este emprego, por este trabalho, mas porque vocês têm a oportunidade de viver no lar São Cotolengo a expressão do amor de Deus para com os nossos irmãos irmãs. Que eles possam contemplar nos gestos de vocês, no olhar de vocês, no cuidado, na paciência, a expressão do amor do Divino Pai Eterno. Veja a grande responsabilidade que vocês têm: não só de ser ótimos profissionais, mais do que isso, mais que cuidar da doença de uma pessoa, mas de cuidar de uma pessoa doente. É mais exigente um pouquinho. Exige um coração transformado, conquistado pelo amor do Cristo, para ser expressão desse cuidado amoroso do Divino Pai Eterno. A vocês, funcionários da Vila São Cottolengo, quero dizer uma frase que uma vez ouvi do bispo que me ordenou que está em processo de beatificação, dom Luciano Mendes Almeida. Ele sofreu um acidente terrível e ficou 30 dias no hospital sem poder falar abrir a boca para se comunicar. Então ele escreveu em letras “garranchos” para os profissionais de saúde esta frase, e guardem no coração: “como é bela a vida daqueles que ajudam os outros a viver”. A vida de vocês é bela! Conservem esta beleza, queridos funcionários do lar São Cottolengo. Expressem esta beleza pelo amor, pelo cuidado, sejam presença de esperança na vida desses nossos irmãos e irmãs. De modo que quem ali visitar esse santuário, também contemplando alegria com o que eles são cuidados e contemplando neles a alegria de receber tamanho amor, que cada peregrino, romeiro, que ali visitar o Santuário do Irmão possa ser também transformado a ser também expressão desta beleza, cuidando, ajudando os outros a viver.

É impossível, meus irmãos e minhas irmãs, pensar a experiência da fé que aqui fazemos neste Santuário de Divino Pai Eterno sem pensar no Santuário do irmão. A nossa devoção ao Divino Pai Eterno deve crescer em nós a consciência da nossa condição filial, que nós assumimos pelo batismo. Estamos chamados, cada dia mais, a  sermos conformes a Jesus. Como recordou Paulo na leitura que nós ouvimos: nos assemelhar a Jesus, cultivar uma relação filial com o Pai, na obediência à sua vontade. E nessa relação filial ela se torna visível, se torna autêntica, se torna verdadeira. Quando nós aprendemos com Jesus nessa relação amorosa com o Divino Pai Eterno a nos tornarmos também irmãos do outro ; a nos fazer irmãos daquele que precisa da nossa presença solidária.

Você que nos acompanha da sua casa e que se encanta com a pela beleza desta romaria, ao visitar o Santuário do Divino Pai Eterno, não pare aqui. Vá ao Santuário do Irmão e se deixe ser tocado pela vida desses irmãos tão queridos, que a providência divina quis que eles existissem. Porque existir é ser amado por Deus! E nós sabemos que o que inspirou o padre fundador, padre Gabriel, acolher esses nossos irmãos e criar este lar foi a experiência de tantos romeiros que vinham ao Santuário do Divino Pai Eterno, muitas vezes com a esperança de encontrar uma cura para suas limitações físicas, psíquicas, e as vezes nem tanto encontraram. Não podemos jamais quem um dia deixou estes irmãos aqui em Trindade. Como nos diz São Paulo: “Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”. Pode ser que esses nossos irmãos que aqui se encontram, se fossem concebidos hoje, muitos não nasceriam. Por que infelizmente vivemos numa sociedade do descartável, que não valoriza a vida, que não reconhece a dignidade da pessoa humana. “Isso acontece, senhor bispo?”. Acontece…

Eu acompanhei um casal, e tive a alegria de abençoar o casamento deles, Thaís e Emanuel, lá de Barbacena. Com pouco tempo de casados ela ficou grávida. Foi ao médico passando muito mal. E o médico lhe disse “seu filho é possível que tenha uma síndrome muito forte, que às vezes não consiga sobreviver”. E depois de vários exames descobriu que o filhinho que essa jovem casada estava gerando era portador da síndrome de Down. Aquele médico, ao invés de cuidar da vida, lhe deu como orientação: “Ora pode, ser que seu filho não sobreviva. Se quiser, podemos providenciar o aborto”. Hoje em dia usam uma palavra diferente: “Vamos interromper a gravidez”, que na verdade é o aborto. Nessa circunstância, quando o feto não tem condições de sobreviver.  Ela sendo, uma jovem muito católica, foi a outro médico e graças a Deus foi acolhida. E nasceu o José, que eu tive também a graça de batizar e está crescendo.

Acolher a vida, não importa qual seja a limitação física ou psíquica. A vida é dom de Deus, como diz o livro da Sabedoria, capítulo 11,26: “Existir é ser amado por Deus”. Compreender isso, meus irmãos e minhas irmãs, assumir também o compromisso de ser presença de amor solidário na vida daqueles que precisam do nosso cuidado. Nós vivemos numa sociedade em que as pessoas não se permitem mais enfrentar o sofrimento, não suportam mais o sofrimento. E corremos o risco de viver uma fé interesseira, em que eu volto para Deus para resolver o meu problema de forma mágica e imediata. Até mesmo a oração pode se tornar interesseira, e quando eu não alcanço aquela graça que eu espero, que eu peço a Deus, a vida perde o sentido. Murmuram, se revoltam com Deus, e até mudam de igreja.

Meus irmãos, minhas irmãs, nós temos um Deus que pode realizar realizar milagres sim, que pode nos curar de qualquer doença. Mas a fé madura não depende de milagres! A fé madura do fiel que é peregrino de esperança, ele cultiva uma oração, e não espera uma solução imediata. Mas cultiva a oração que lhe dá certeza: Deus está comigo, eu não estou sozinho. É por isso que somos peregrinos de esperança, e o somos de fato, se formos peregrinos na fé. Mas uma fé experimentada pelo amor. Uma fé que brota da experiência do amor do Cristo manifestado na cruz. O Cristo deu a vida por nós. Ele também enfrentou o sofrimento para se solidarizar a humanidade sofredora. Nem sempre encontramos respostas para o sofrimento. Quantas vezes, diante da dor, diante da doença, perguntamos a Deus: “por que eu estou passando por esse sofrimento”? E a gente questiona, é às vezes se revolta, e até questiona: mas eu rezo tanto do Divino Pai Eterno, vou à missa todos os domingos? E porque agora estou nesse sofrimento?

A nossa fé tem que ser gratuita, meus irmãos e meus irmãs. A nossa fé tem que ser de comunhão, não no “Jesus como se fosse o curandeiro”. Mas no Jesus que morreu na cruz para nos salvar. Nós cremos naquele que nos salvou, ou cremos nos Jesus curandeiro? É verdade que ele pode nos curar, sem dúvida. Mas repito: a nossa fé não pode depender de milagres. A nossa fé tem que ser resposta gratuita de amor, porque ele nos amou assim, gratuitamente, dando a vida dele por nós da cruz. Para nunca duvidarmos que o seu amor por nós é um amor fiel, é um amor que dá sentido à nossa vida, mesmo na dor. Por isso Paulo afirmou, com toda força, “nada pode nos separar do amor de Deus”. Vamos repetir isso? “Nada pode nos separar do amor amor de Deus”.

Vivamos nessa certeza, meu s irmãos e minhas irmãs. Nada pode nos separar do amor dele. Se ele permanece conosco, fiel no seu amor, cabe somente que nós correspondamos também a este amor. Que nós saibamos permanecer também neste amor. E ao invés de perguntar pelo porquê, a pergunta talvez mais importante a ser feita seja “para quê?” que eu estou passando por este sofrimento. E quando eu pergunto “para quê?” o tempo, a experiência da fé, vai me dando respostas no passar do tempo. E eu vou compreendendo que a minha vida não perde o sentido. Tudo passa pela dor, porque o sofrimento também também nos humaniza. O sofrimento faz crescer em nós a consciência de que eu sou humano, eu não sou autossuficiente. O sofrimento me ajuda a me despojar do orgulho, da vaidade, da pretensão de querer ser melhor que o outro, de querer ser maior que o outro. O sofrimento me faz compreender que o sentido da vida não está na fama, não está no sucesso, não está no poder, não estar no possuir os bens materiais. Porque nada do que o mundo oferece pode garantir o sentido da vida. Somente o amor de Deus nos sustenta na alegria de viver, mesmo na dor.

A fé madura é uma fé de comunhão com Jesus, que também passou pelo sofrimento. Comunhão com mistério Pascal de Jesus, em sua Paixão Morte e Ressurreição. Comunhão de vida com Jesus para conservar viva a nossa esperança. O nosso Deus é próximo daqueles que sofrem, afirmou há poucos dias o Papa Leão. Se nós experimentamos essa proximidade de Deus, neste amor com o qual Jesus nos amou na cruz, é para aprendermos com ele também a sermos sensíveis, solidários ao sofrimento do outro. Às vezes, queridos irmãos e irmãs, somos egoístas até no sofrimento. Quando a gente olha pra nós mesmos e pensamos que o meu sofrimento é o pior de todos, a ponto de nos tornar cegos de olhar o outro que sofre e perder a sensibilidade e a capacidade da solidariedade.

O sofrimento de Jesus na cruz foi um sofrimento de solidariedade, por amor à humanidade sofredora. É assim que devemos aprender com ele, como ele mesmo disse no Evangelho”Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Esse pedido de Jesus é atual. Vamos aprender com Jesus a mansidão, a humildade, o sofrimento que nos torna também humildes. Unidos a Jesus tudo se torna leve. Ele nos convida: “Vós que estais fatigados, que o meu fardo é leve, meu fardo é suave”. Com Jesus, meus queridos irmãos e irmãs, não estaremos isentos do sofrimento. Mas a vida marcada pelo sofrimento se torna leve, possível de ser vivida com esperança, porque a esperança não decepciona, porque é o amor dele foi derramado em nossos corações, e nada, nada poderá nos separa do amor de Deus.

© 2026, Difusora Goiânia
 Fundação Padre Pelágio. 
Todos os direitos reservados.

ENTRE EM CONTATO CONOSCO!
Fone:(62) 3233-4000
noar@difusoragoiania.com.br

Image