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Dom Beto, arcebispo de Maceió, lembra que a contemplação do infinito amor de Deus por nós deve nos levar a caminhar na vida com Esperança.
A celebração da primeira novena solene, celebrada na praça Dom Antônio Ribeiro, em Trindade/GO, foi proferida por Dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM, mais conhecido como Dom Beto, que é o Arcebispo de Maceió/AL. A partir das leituras deste dia da solenidade do Sagrado Coração de Jesus, ele refletiu sobre o tema: “Pai Eterno, somos Vosso povo caminhando na esperança”.
Dom Beto recordou o infinito amor de Deus que vem ao nosso encontro, como podemos contemplar nos mistérios da encarnação e da Paixão. E que exercício de fé deve nos levar a caminhar pela vida com o coração cheio de esperança, mesmo nos tempos difíceis que estamos vivendo.
A seguir, a transcrição da pregação:
Caro irmão, Dom Zenildo, bispo auxiliar de Manaus.
Caros Missionários Redentoristas, a quem saúdo na pessoa do Superior Provincial, padre João Paulo, e do reitor desta basílica, padre Marco Aurélio. Missionários Redentoristas que são os zelosos cuidadores da casa do Pai e da casa da Mãe.
Caros romeiros e romeiras do Divino Pai Eterno, e também os que rezam e acompanham através da TV Pai Eterno, da TV Aparecida.
Nós estamos num ano muito especial. Tão especial, que o chamamos de “Ano Santo”, em que celebramos a nossa Redenção, a nossa salvação em Cristo Jesus, que se fez nosso irmão. E este ano é tão especial, que dá justamente a tônica desses dias de novena e Festa do Divino Pai Eterno. Neste Ano Santo, Ano Jubilar, nós somos chamados a celebrar, e ao mesmo tempo trazer com mais força ao coração, fazer o coração arder, inflamar de alegria, na certeza de que somos amados por Deus! E a prova de que Deus nos ama, como ouvimos na segunda leitura que foi proclamada, é que o Filho de Deus, que é Deus, da mesma natureza do Pai, se fez plenamente nosso irmão. O Pai Eterno, no seu amor por nós, na ternura do seu coração, nos enviou o seu Filho. E o Filho, sem deixar de ser Deus, se fez um de nós, assumiu a nossa fragilidade, a nossa condição humana. Somos amados por Deus!
Às vezes quando vamos aconselhar uma pessoa, dizemos assim: “olha, você precisa procurar a Deus!” Na verdade, não é bem assim. Nós não precisamos procurar a Deus, porque Ele nos procura. Ele veio ao nosso encontro! Não cremos, irmãos e irmãs, absolutamente, não cremos num Deus indiferente e distante de nós. Somos amados pelo Pai, e o Filho de Deus se fez um de nós, desceu, para permanecer no meio de nós, como proclamamos em cada liturgia.
A cada ano, nós celebramos o Natal. E quando nos perguntam sobre o que é o Natal, nós respondemos mecanicamente: “nascimento do Filho de Deus”, ou “nascimento de Jesus”. Mas nem sempre respondemos com profundidade sobre esse mistério: Deus é onipotente (quer dizer, pode tudo!); Deus é imenso! Ele não é só “grande”, ele é imenso, sem medida. Eterno, invisível! Mas, em Cristo Jesus ele se fez pequenino e frágil. Aquele menino colocado na noite de Natal num coxo de animais, pequenino e frágil, como toda criança que acaba de nascer, é Deus-conosco!.
“Que surpresa”: o Papa Francisco escreveu uma carta sobre o presépio que dizia “admirável sinal”. Às vezes a gente mira, olha, mas não admira! “Que surpresa!”, dizia Papa Francisco. Deus não se cansa de nos surpreender. O Deus onipotente, eterno, feito um de nós, nosso irmão. Frágil, pequenino… a humildade de Deus nos desconcerta, nos surpreende.
Além do mistério de Nazareth: o filho de Deus passou mais ou menos 30 anos numa aldeia pequenina e até meio desprezada. 30 anos sem pregar, sem fazer milagres… Ali, o Filho de Deus, Deus, se fez filho de José, um pobre carpinteiro. Se alguém tem dúvida de que somos amados por Deus, e hoje celebramos a solenidade do Coração de Jesus, que é uma afirmação deste amor, olhe para o presépio… Mas deixe-se surpreender pela beleza de um Deus feito carne, humildemente, pequenino, nosso irmão.
Lembremo-nos, à luz do Evangelho que ouvimos, do filho de Deus como um bom pastor, indo ao encontro de todos. De modo especial dos pequeninos, dos pobres, dos sofredores. E a palavra que os evangelhos gostam para sintetizar o jeito de Jesus é “compaixão”. A dor dos outros doía no coração de Jesus. Filho de Deus no meio de nós.
Depois, e aí repito a frase de Paulo na segunda leitura: “A prova de que somos amados por Deus é que o Filho de Deus morreu por nós”. E quando João, no quarto Evangelho, inicia o relato da Paixão de Jesus, logo diz: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. É outra realidade, que a gente está tão acostumado a olhar que a gente mira, mas não admira. É um costume muito perigoso! Olhar para a cruz, mas olhar com atenção, naquele homem cheio de dores, aquele homem desprezado, humilhado na cruz… Pede água, lhe dão vinagre! Ele é o Deus onipotente! Imenso! O Deus invisível que se faz visível, assumindo a nossa fragilidade.
Olhe para a cruz, quando tiver dúvidas de que nós somos amados por Deus, de que no coração de Deus há cada um de nós. E Deus nos ama tanto, porque todo amor é sem medidas! Quando eu calculo, já não é mais “amar”, é “gostar”… Deus ama-nos, e ama a todos, gratuitamente, não à medida da nossa resposta! Não à medida no nosso amor. O coração de Deus se inflama, se arde de amor por toda a humanidade. Como um pastor que dá a vida por suas ovelhas.
Diz que certa vez, irmãs e irmãos, havia um grupo de pessoas numa roda de conversa olhando para a fotografia de um homem. E olhando para aquela fotografia, começavam a tecer comentários. Alguém dizia assim: “Olha, esse homem parece meio bravo”. Outro dizia assim: “ele parece meio exigente”. “Parece que ele não é muito próximo”. E começaram a tecer comentários nesse nível. De repente, no meio dessa roda de conversa, entra uma criança. E ela, escutando essas palavras, disse: “Opa, não é isso não!. Ele é muito bom! Ele é carinhoso. Ele é paciente. Ele ama totalmente. Ele cuida”. E as pessoas perguntaram: “Como é que você sabe?”. E o menino respondeu: “Ele é o meu pai”. E ele continuou a falar do pai. E aquelas palavras do filho foram como que iluminando os olhos dos que olhavam a fotografia do pai. E começaram a olhar diferente, a partir das palavras do filho. E começaram a dizer: “É verdade!”. Mas perguntaram ao menino: “Por que ele está desse jeito, parecendo tão severo?” E a resposta: “É que meu pai é juiz. E ele não gosta de injustiça. Ele não gosta de coisa errada. E nesse dia ele estava julgando, defendendo os que sofrem”. E as palavras do filho, iluminaram os olhos, e todos ficaram amando o pai, a partir das palavras do filho. Foi isso que Jesus fez. Foi para isso que Jesus veio ao nosso encontro: para nos revelar o amor misericordioso do Pai. A ternura de um Deus que é eterno, mas que nos ama eternamente. Eterna é a sua misericórdia!
Meus irmãos e irmãs, na origem deste Santuário, há também uma linguagem muito bonita. E como este é um ano especial de peregrinação por ser um Ano Jubilar, por exemplo: a medalha que está na origem da devoção, ela foi encontrada junto a um córrego, um riachuzinho, um veio d’água. Ora, lá em Aparecida a imagem também foi encontrada no rio Paraíba. Lá em Belém do Pará a imagenzinha de Nossa Senhora foi encontrada também num rio, por um caboclo. E são muitos os casos de imagem que estão na origem de Santuários, foram encontradas junto a um rio, riacho, córrego, um igarapé… E isso lembra o nosso batismo. Pois pelo batismo nós participamos, somos configurados, unidos a Cristo. Como Ele nós descemos, morremos, e com Ele ressuscitamos. Então, nós todos que somos batizados, somos também chamados a ser imagens do Pai no Filho. Nós somos chamados a manifestar o amor do Pai. Porque somos filhos no Filho, Jesus Cristo. Somos imagem de Deus Pai, e o batismo nos dá essa graça de ser com Cristo, com ele morrer, e com ele ressurgir.
Depois, pelo que eu li, as águas do córrego eram escuras, barrentas. E aqui essa região onde hoje fica a cidade de Trindade se chamava “Terra Preta”, ou “Barro Preto”. Águas turvas, escuras… terra escura… mas foi justamente ali, que surgiu como que uma luz, que hoje ilumina tanta gente. As pessoas que estavam chegando, procurando vida, esperança, trabalho, dignidade, e Deus se manifestou numa medalha humilde. E se fez ali presente, como um Pai Eterno. Deus é nossa luz! E a palavra “esperança” é fundamental neste ano, nesses tempos difíceis nós estamos atravessando. Já na pandemia o Papa dizia que a pandemia revelou uma doença que nós já tínhamos: a humanidade não vai bem! E às vezes a gente é tentado a desanimar. A arriar os braços. Mas nada, meus irmãos e irmãs, nada mais contrário à nossa fé que o pessimismo, do que o desânimo, e o fatalismo!. É escandaloso e absurdo que alguém que crê no mistério da Páscoa de Jesus possa dizer que está desanimado, que está “desacosuado”… No eixo da nossa fé, a certeza de que a cruz não tem a última palavra, ela se torna não um sinal de derrota, mas se torna sinal de vida.
Somos amados por Deus: é essa esperança que não decepciona. Infeliz aquele ou aquela que coloca a sua esperança em qualquer realidade transitória, passageira desse mundo. Se decepciona! Ou como dizem os psicólogos: se frusta! Tem muita gente por aí desiludida, frustrada. E nós somos chamados, nos caminhos que percorremos, nas estradas da vida, a sermos peregrinos de esperança, nessa certeza da esperança que não decepciona.
Vou contar mais uma história, que foi aqui em Goiás. Dois amigos moravam em Goiânia, e estavam desempregados, passando necessidade. Um disse ao outro: “Vamos fazer uma promessa ao Divino Pai Eterno? Se a gente conseguir emprego, nós vamos a pé, daqui de Goiânia até Trindade”. “Pronto, vamos fazer a promessa! Mas vamos aumentar a promessa: vamos colocar milho no tênis!” E o outro disse: “Está bom!”. Três dias depois conseguiram o emprego, e emprego bom! Num sábado, saíram cedinho para pagar a promessa. Depois de uns dois quilômetros de caminhada, um já caminhava capengando. O outro estava tranquilo, sem expressão nenhuma de dor. O que sentia dores, olhou para o outro tranquilo, e disse: “Mas vem cá, nós fizemos promessa para colocar milho no sapato. Você não colocou não?” E ele respondeu: “Coloquei”. “E porque não está sentindo dor?” E ele disse: “É que eu coloquei milho cozido”. Tem gente que é assim: quer ser cristão, quer seguir Jesus, quer responder ao amor de Deus, mas fugindo das consequências de amar. Assim como o Filho de Deus nos amou até o fim, nós seremos peregrinos de esperança na vizinhança, no trabalho, no ambiente de estudo, onde a gente estiver, sendo testemunhas do amor de Deus por nós. Criando relações novas, de comunhão, de fraternidade. Esse mundo precisa de nós! E não podemos voltar de uma romaria iguais. Mas sim, mais animados, mais firmes na fé, mais firmes na esperança, porque a esperança não decepciona.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
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