Segunda, 07 Julho 2025 08:50

Viver é peregrinar no mundo com uma direção muito precisa Destaque

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Na mensagem final aos romeiros, Dom João Justino destaca o que cada fiel deve levar para sua vida após os dias de peregrinação em Trindade.Dom João Justino, arcebispo de Goiânia, na celebração de encerramento da Romaria 2025. Foto: Reprodução TV Pai Eterno

Num tom de encorajamento, o arcebispo metropolitano de Goiânia, Dom João Justino, exortou os romeiros de Trindade a não desanimarem. “Não se desanime em suas tribulações, mas lembre-se de que tudo converge para a esperança porque o Pai Eterno já derramou em seu coração o amor, o Espírito Santo em seu batismo, em sua crisma, em tantos momentos de sua vida”.

Dom João ofereceu sua mensagem final durante a missa de encerramento da Romaria do Divino Pai Eterno 2025, que lotou a praça do Santuário-Basílica após a procissão que trouxe a imagem original, esculpida por Veiga Valle, da Igreja Matriz de Trindade. “Retornem como peregrino de esperança, anunciando quão bom e agradável é o amor do Pai, quão bom e agradável é viver juntos como irmãos”.

A seguir, a transcrição da homilia de Dom João Justino.

Meus irmãos romeiros e minhas irmãs romeiras. Minha primeira saudação é para você que escolheu estar aqui conosco nesses dias da Romaria 2025, que até aqui viveu este tempo intenso da Graça de Deus, como filho amado do Pai. Saúdo todos os voluntários e servidores do Santuário; consagradas e consagrados; Pe. João Paulo, padre provincial dos Redentoristas; Pe. Marco Aurélio, reitor do Santuário; Pe. Sidney, prefeito de liturgia e nosso Vigário Episcopal; saudação também ao padre Tiago de Melo, que é vice provincial e pároco da paróquia do Divino Pai Eterno, aqui em Trindade; ao meu irmão querido, Dom Danival, nosso bispo auxiliar, que desde quinta-feira de manhã cedo está aqui, celebrou, atendeu confissões por diversas horas, fez uma imersão, diria que praticamente completa na festa, e isto é muito bom, muito nos alegra. Saúdo as autoridades civis, políticas e das forças de segurança, todos que acompanham a celebração pela TV Pai Eterno, TV Aparecida, Rede Vida, rádios e rede sociais. Saúdo também os sacerdotes diocesanos e demais religiosos aqui presentes.

A procissão que há pouco fizemos, trazendo da Igreja Matriz, a imagem do Divino Pai Eterno, reúne todos os caminhos percorridos pelas centenas de milhares de romeiros que nestes dias se dirigiram e se dirigem a este Santuário. Vindos de ônibus ou de carros, de motocicletas ou de bicicletas, de carros de boi ou a pé... aqui chegamos. Não caminhamos sem direção. Caminhamos com os olhos fixos na Casa do Pai. Como o salmista cada um de nós pôde dizer: “Que alegria quando me disseram, vamos à casa do Senhor”. Que maravilha! Aqui estamos, na casa do Senhor, como filhas e filhos amados do Divino Pai Eterno, como romeiros, como peregrinos.

A Romaria deste ano se dá no contexto do ano jubilar que estamos celebrando. São 2025 anos do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Acolhemos o apelo do Papa Francisco e aceitamos ser peregrinos de esperança.

Viver é peregrinar no mundo com uma direção muito precisa. Somos todos romeiros do céu. Assim na vida, assim na peregrinação. Assim na peregrinação, assim na vida. Enquanto peregrinamos nós sustentamos o desejo de alcançar a meta, de chegar, de colocar os pés no território sagrado do Santuário. No meio do caminho fazemos pausas de silêncio, oramos, conversamos com pessoas que encontramos, às vezes pessoas amigas, outras vezes pessoas desconhecidas. Partilhamos algum lanche, um pouco d´água, apoiamo-nos no braço de alguém ou estendemos nossa mão para ajudar outro... todos esses gestos e inúmeros outros se ligam aos caminhos da nossa vida. Todos os dias você vive experiências semelhantes. Não deixe faltar no caminho de sua vida aquele zelo de quem se reconhece filho, filha, do Divino Pai Eterno. O zelo de buscar tudo fazer para que todos cheguem à meta, à Casa do Pai, ao Santuário.

Escutamos a primeira leitura, um breve trecho do profeta Isaías, cap. 40. A mensagem é de perdão e de reconciliação, de restauração – a servidão acabou e a expiação das culpas foi cumprida... a glória do Senhor se manifestará. A comunidade cristã escuta este texto e o interpreta em chave messiânica. Isto é, a esperança mais importante será realizada. O Salvador habitará entre seu povo. E não foi isso que aconteceu quando Maria deu à luz ao Menino e os anjos anunciaram aos pastores: “Nasceu-vos, hoje, um Salvador, que é o Cristo, o Senhor”. E lá se vão 2025 anos desse acontecimento histórico.

Não se desilude, não se decepciona, não se engana quem confia no Senhor. Essa é a verdade que cantamos com o salmista que disse: “Quem confia no Senhor é como o Monte de Sião. Nada o pode abalar, porque é firme para sempre”. Meu irmão, minha irmã, quem quiser permanecer firme para sempre, confie no Senhor.

Muitas vezes sonhamos uma confiança que dispense nosso compromisso, nosso trabalho, nosso empenho. São Paulo escreve aos Romanos, como ouvimos hoje, e os convida a gloriar-se também das tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança, e a esperança não decepciona. E você sabe por que a esperança não decepciona? Responde o Apóstolo: porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.

Então, coragem meu irmão, coragem minha irmã. Não se desanime em suas tribulações, mas lembre-se de que tudo converge para a esperança, porque o Pai Eterno já derramou em seu coração o Espírito Santo em seu batismo, em sua crisma, em tantos momentos de sua vida...

Aqui em Trindade os romeiros fazem a experiência de visitar dois Santuários. Um tão importante quando o outro. O mais conhecido é o Santuário Basílica do Divino Pai Eterno. Aqui somos evangelizados de tantos modos, sobretudo, pela Palavra de Deus. O outro, foi nomeado como Santuário do Irmão. Falo da Vila São Cotolengo, onde vivem mais de 300 irmãos e irmãs, dependentes de diferentes cuidados para viverem com dignidade. Ali, somos evangelizados pelo contato com o sofrimento humano, pelo testemunho do cuidado com os necessitados, pela alegria de quem aparentemente pode tão pouco, mas que sorri largamente mostrando que há uma alegria que se aproxima do essencial. Ali na Vila São Cottolengo vemos a tribulação associada à esperança e ao amor. Quem vai ao Santuário do irmão escuta, de modo muito singular, a palavra de Jesus aos seus discípulos: “De graça recebestes, de graça deveis dar”. Ali somos interpelados à generosidade da presença, do olhar, do sorriso, do tomar a mão do outro, da atenção dispensada e de se escutar no fundo do coração o Pai Eterno lhe dizendo: Ele é seu irmão. Ela é sua irmã. Para o Divino Pai Eterno, somos todos irmãos.

Permitam-me uma partilha muito pessoal. Eu recebi, no dia primeiro de agosto do ano passado a visita de minha mãe e minha irmã, Rita, e de dois sacerdotes que vieram todos de Juiz de Fora me visitar. E  planejamos vir a Trindade no dia 1 de agosto, e assim viemos. Chegamos aqui umas 10h30 da manhã. Fomos primeiro à Igreja Matriz, lá o Santíssimo estava exposto, ficamos um tempo em silêncio, em oração. Depois viemos aqui ao Santuário, mais um tempo de oração, visitamos o padre Marco Aurélio na reitoria, e fomos almoçar. Mas quando organizamos a vinda Trindade, minha mãe havia feito um pedido: “Você me leva na Vila São Cottolengo?”. E eu disse que sim, nós vamos lá. “Vamos para a senhora conhecer”. Ela já tinha estado aqui em Trindade, mas não foi na Vila.

Pois bem, fomos almoçar, e o almoço demorou um pouco. E eu, julgando que ela, com seus 89 anos já estivesse cansada, fui embora. Começamos a ir embora, e eu pensei “vamos pra casa pra ela descansar”. Mas quando ela se deu conta que já estávamos ali, no trevo da saída, ela disse “Uai meu filho, você não vai me levar na Vila?”. Eu disse “é verdade, a senhora quer ir lá né”. “Sim, me leva lá”. E eu contornei e fomos à Vila, e lá fomos recebidos pelo Irmão Michael, pela Irmã Amanda e pela Irmã Umbelina. Ficamos lá um pouco mais de uma hora. Minha mãe ficou muito sensibilizada, muito feliz de ter conhecido, porque acompanhava pela TV Pai Eterno a história e a vida ali da Vila São Cottolengo.

Depois ela foi embora. No dia 14 de agosto sofreu um acidente em casa, e no dia 16 de agosto veio a falecer. Naturalmente, os últimos diálogo que tive com ela e que retornam ao meu coração, este foi um deles: “Você não vai me levar na Vila?”. Isso me fez pensar que nós não podemos trazer ninguém em Trindade, mostrar o Santuário do Divino Pai Eterno, e não levar no Santuário do Irmão. Eu preciso levar todos à Vila, e se dessa vez você não foi lá, na próxima irá, com certeza.

Irmãos e irmãs, esta missa que encerra a Romaria 2025 é, também, uma celebração de envio. “Pai Eterno, enviai-nos como peregrinos de esperança”.

Ao regressar para sua casa, meu irmão, minha irmã,

lembre-se de levar em seu coração a fé que sustentou seu caminho e sua presença aqui em Trindade, que qualificou sua participação nas missas, celebrações, sacramentos, procissões, encontros...

lembre-se de levar em sua memória as melhores lembranças do que aqui viveu junto de inúmeros irmãos e irmãs que compartilham a mesma fé, a mesma esperança e o mesmo amor...

lembre-se de levar em seus ouvidos o soar dos sinos, das canções litúrgicas, dos vivas, do som dos berrantes, do rangido dos carros de boi, do silêncio orante e até das boas risadas...

lembre-se de levar em suas mãos disposição para servir onde quer que você esteja, desdobrando o compromisso das mãos estendidas que ofertam o que de graça recebem, de vencer a tentação de fechar as mãos e reter somente para si...

lembre-se de levar em seus pés a agilidade de quem dispõe-se a sair apressadamente em favor dos que abandonados e sozinhos aguardam a proximidade de quem se faz irmão, se faz irmã como o bom samaritano...

lembre-se de levar em seus ombros a força de quem se oferece como Cireneu para ajudar os que sofrem a carregarem a cruz...

lembre-se de levar em suas palavras mensagens de esperança para os que se encontram abatidos; de anunciar o nome daquele que na cruz se entregou por todos nós, Jesus Cristo, nossa esperança viva; de dizer também por gestos que o Pai Eterno ama e quer o bem de todos, de todos, de todos...

Seu retorno para casa seja como o do Filho Pródigo, disposto a viver de modo novo e diferente na casa do seu Pai.

Seu retorno para sua casa seja como o dos discípulos de Emaús quando correram de volta a Jerusalém depois de terem reconhecido o Senhor quando Ele partiu o pão. Muito felizes e dispostos a anunciar o que eles experimentaram no caminho com o Ressuscitado.

Seu retorno para sua casa seja como o de Maria ao regressar dos três meses passados com Isabel. Agradecida pelas maravilhas que o Senhor realizou em sua vida. Retorne, meu irmão e minha irmã, com o coração agradecido. Retorne como peregrino de esperança, anunciando quão bom e agradável é o amor do Pai, quão bom e agradável é viver juntos como irmãos.

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